terça-feira, 3 de agosto de 2010

Coisas de que as oposições ao governo Lula deveriam estar tratando em seus programas de campanha eleitoral

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Kais Ismail

A política praticada pelo grupo que coordena o Projeto Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades, não condiz com a política do governo Lula, que é uma política voltada a combater as desigualdades sociais, transformando as cidades em espaços mais humanizados, ampliando o acesso da população à moradia, ao saneamento e ao transporte.

Esta é a missão do Ministério das Cidades, criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2003, contemplando uma antiga reivindicação dos movimentos sociais de luta pela reforma urbana.

O projeto Bicicleta Brasil, conforme o Secretário Nacional Luiz Carlos Bueno de Lima, contará com a verba de quinhentos milhões de reais. É um valor que se bem aplicado, poderá de fato revolucionar e tornar mais humano o trânsito nas cidades brasileiras.

Entretanto, para surpresa minha, que sou o único no grupo que está trabalhando sem qualquer tipo de remuneração, estou constatando através da Oficina Ampliada realizada em Brasília no dia 11/06/2010 e pelas várias trocas de emails entre os componentes do grupo, que o projeto está sendo conduzido a favorecer somente os “ciclistas de boutique” (aqueles que só pedalam por prazer aos fins de semana), que são a minoria entre os milhões de ciclistas trabalhadores (estima-se que sejam mais de 40 milhões de pessoas).

Só se fala e se projeta ciclovias e ciclofaixas dentro do grupo, sem considerar que é impossível contemplar todas as cidades e bairros com estas obras. E todas em regiões nobres!

A única ação que poderá contemplar a todos os ciclistas brasileiros sem exceção é o cumprimento das leis do trânsito. Tolerância zero para o descumprimento do CTB – Código de Trânsito Brasileiro.

Durante a oficina em Brasília, escutei de um representante do DETRAN, que a justificativa da falta de respeito às leis de trânsito que ocorrem no Brasil, é devido aos poucos fiscais que existem no departamento e falta de campanhas educativas.

Ora, como se quinhentos milhões de reais não fosse o suficiente para se fazer uma maciça campanha educativa e contratação de fiscais que a demanda exige.

Lamentavelmente, a maioria do grupo só tem demonstrado interesse em fazer obras milionárias que atenderão a muito poucos.

Também, parece se recusarem a observar detalhadamente o que vem ocorrendo com os nossos ciclistas em nosso cruel trânsito. Preferem viajar para Holanda, Dinamarca e outros países onde há grande quantidade de ciclistas. Mas, grande também são as diferenças sociais, culturais e territoriais que há entre nosso país e estes países europeus. Por isso, considero como desperdício de dinheiro público estas viagens pagas pelo governo e ONGs.

E o mais lamentável, é que quando aponto problemas bem brasileiros, estes apontamentos não são considerados pela maioria e muitas vezes são recebidos com desprezo.

Já há um tempo que venho divergindo da grande maioria do grupo. Pois me parece que estão agindo de forma irresponsável. E isto fica claro quando foi mencionado que quinze milhões de reais, doados ao projeto pelo Banco Mundial, sumiu e ninguém fez nada para encontrá-lo. Como se fosse coisa mais comum do mundo sumir com quinze milhões de reais!

Já solicitei diversas vezes para a coordenação do projeto rever tudo o que já foi planejado e considerar minhas observações que só vem para beneficiar os trabalhadores e a população em geral. Assim como a preservação do meio ambiente. No entanto, minhas solicitações estão sendo desconsideradas.

A gota da água da minha indignação e por isso levo ao conhecimento de nosso presidente e de todos os brasileiros este assunto, é o cooperativismo demonstrado em todos os debates virtuais. Cooperativismo de engenheiros de tráfego, que está sendo colocado acima dos interesses dos brasileiros e do Brasil.

E uso como exemplo o que está sendo discutido neste momento dentro do grupo, quando um cidadão indignado publicou este vídeo:



Não tenho conhecimento de qual partido que esteja frente à administração de Taboão da Serra. Ainda que seja do PT, é inaceitável o que lá está acontecendo.

As pessoas representativas do grupo que estão desenvolvendo o projeto (engenheiros), em vez de reconhecem os direitos deste cidadão e entenderem sua indignação e atenderem suas necessidades (que é a mesma de toda a população local), estão tentando desqualificar seus apontamentos e em momento algum consideram a única solução para Taboão da Serra, que também é a solução para qualquer município brasileiro, o respeito às leis do trânsito.

Eu entrei recentemente no projeto Bicicleta Brasil, mas há pessoas que já está há muitos anos, décadas, prestando serviços ao governo.

Talvez por isso, estamos nesta situação:




É humanamente impossível ao nosso presidente Lula tomar conhecimento de tudo o que ocorre em sua administração. Por isso mesmo, muitas vezes se encontra em situação constrangedora ao ser acusado de irresponsável ou corrupto por determinadas ações do seu governo. Como eu sou petista e lulista, estou encaminhando esta mensagem ao secretariado da presidência e também para alguns amigos jornalistas.

Talvez assim, o projeto seja conduzido com mais seriedade.

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Kais Ismail, produtor publicitário e empresário, colabora com esta Agência Assaz Atroz.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

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